ICOM Portugal discute a reabertura e o futuro dos Museus com a DGPC e os grupos parlamentares do CDS-PP, PSD e PAN
Durante os últimos dias, a direcção do ICOM Portugal participou de várias reuniões em que o ponto principal em agenda foi a reabertura dos museus, após o período de confinamento motivado pela pandemia de COVID-19.
Os grupos parlamentares do CDS-PP, do PAN e do PSD ouviram e manifestaram a vontade de ajudar na concretização dos esforços que estamos a desenvolver para garantir que cada museu, no momento da reabertura, tenha reunidas as condições sanitárias e de higienização necessárias para a protecção de profissionais e visitantes.
A reunião havida no Palácio da Ajuda, com a equipa diretiva da DGPC, que incluiu o diretor e 3 subdiretores, seguiu as mesmas linhas gerais, naturalmente mais orientadas para a realidade específica dos museus nacionais, aliás os que manifestamente estão menos preparados para a nova realidade. A mensagem que nos foi transmitida foi a de desenvolvimento de esforços, ainda sem certezas, e de grande preocupação com a falta de recursos decorrente da quebra das receitas.
Junto de todos reforçámos a preocupação de ver regulamentadas e asseguradas estas condições, nomeadamente ao nível dos recursos humanos, das condições de funcionamento e acolhimento dos visitantes. O grande desafio não é naturalmente o dia da reabertura, mas a garantia de manutenção destas condições enquanto a situação excecional se mantiver, o que todos calculamos será ainda prolongado.
Alertar para a urgência de reunir as condições de adequado funcionamento implicou necessariamente referir a situação de grande penúria que a diversos níveis vivem muitos dos museus:
– Instalados em edifícios com grande necessidade de manutenção;
– Com infraestruturas desatualizadas (nomeadamente de rede internet e condicionamento de ar);
– Com equipas de profissionais abaixo do número mínimo necessário para funcionar em condições, agravado agora pelas características que obrigam a confinamento dos mais vulneráveis ou acompanhamento de familiares;
– Com meios de comunicação à beira da rutura ou já inoperacionais (a maioria dos sites dos museus nacionais);
– Sem qualquer possibilidade de responder direta e rapidamente a carências imediatas, devido à total falta de autonomia e burocracia asfixiantes;
– Sem perspectiva de voltar a reunir as equipas de profissionais com vínculo laboral precário, fundamentais para a prossecução dos trabalhos necessários ao cumprimento da missão dos museus: educadores, conservadores-restauradores, designers, criativos e técnicos da miríade de áreas que encontram nos museus espaço para se exprimirem e desenvolverem projectos com as comunidades e públicos diversos.
Alertámos assim para a necessidade de, após esta fase inicial de arranque e adaptação a uma realidade inesperada, refletir sobre a situação. Defendemos a importância de aplicar efetivamente a Lei-Quadro dos Museus, designadamente no que respeita à Rede Portuguesa de Museus.
A DGPC garantiu ir avançar com os concursos para a direção dos museus nacionais, embora reconhecendo a falta de condições financeiras. O ICOM alertou para a necessidade de garantir o envelope financeiro adequado para o primeiro triénio.
Solicitámos a todos que fosse realçada a necessidade de incluir os museus nos planos de recuperação económica que estão a ser delineados para fazer face à situação catual, a nível de fundos comunitários e outros.
A importância de criar programas com o Ministério da Segurança Social, na infeliz certeza de aumento do desemprego, para permitir o canalizar para os museus de quem tem já competências adequadas ou de quem possa vir a desenvolvê-las.
Com todos os interlocutores ficou garantida a disponibilidade para a continuação do diálogo e debate dos grandes desafios bem conhecidos de todos, acentuados por uma realidade inesperada e exigente.
Aos grupos parlamentares foi sugerido que a 18 de Maio, simultaneamente dia da reabertura de muitos museus e Dia Internacional dos Museus, visitassem museus.
Direcção do ICOM Portugal, 10 de maio 2020
The Future of Museum Professionals in the Digital Era | Projeto Mu.SA| Disponível on-line
No passado 15 de abril de 2020, o Culture Action Europe e o DAISSy Research Group da Hellenic Open University organizaram a conferência final do projeto Mu.SA, on-line devido às limitações de mobilidade e reunião, provocadas pela situação pandémica a nível mundial. Mais de 700 participantes assistiram a esta conferência subordinada ao tema “The Future of Museum Professionals in the Digital Era”.
O conjunto das apresentações e dos trabalhos encontram-se, doravante, disponíveis no canal de YouTube do DAISSy Research Group
As apresentações em pdf, para download, encontram-se disponíveis aqui:
- Keynote speech | Julia Pagel (NEMO – European Network of Museum Organisations)
- Mu.SA Project Overview | Achilles Kameas and Spiros Borotis (HOU)
- Emerging Job Profiles for Museum Professionals | Antonia Silvaggi (MeltingPro)
- Mu.SA Methodology | Panagiota Polymeropoulou (HOU)
- Mu.SA MOOC | Paula Menino Homem (UPorto)
- Mu.SA Blended course Training courses | Theodor Grassos (AKMI S.A)
- Mu.SA Evaluation | Massimiliano Dibitonto (Link Campus University)
- Mu.SA Quality Assurance | Ivo Oosterbeek (Mapa das Ideias)
Presidência da República recebeu em audiência o ICOM Portugal para discutir a atual situação dos museus
Ontem, 29 de Abril, na sequência de um pedido de audiência, a Presidente da Direcção do ICOM Portugal, Maria de Jesus Monge, foi recebida por Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.
Conhecedor do universo dos museus, o Presidente da República pretende conhecer a realidade actual, face ao encerramento abrupto em resposta ao confinamento decretado como resposta à pandemia de Covid 19. Existe a vontade manifestada publicamente pelo Primeiro Ministro e pela Ministra da Cultura de abrir os espaços museológicos ao público a 18 de Maio, definido pelo ICOM como Dia Internacional dos Museus.
Maria de Jesus Monge começou por referir que os museus são uma realidade muito vasta, de que não é possível fazer um retrato único, tendo contudo como característica transversal a penúria de recursos humanos. As circunstâncias actuais vieram agravar esta dificuldade, embora de forma diversa – os museus municipais têm equipas mais jovens e são afectadas pela permanência em casa dos alunos do Ensino Básico, nos museus nacionais a idade mais avançada traduz-se em maior número de situações de risco.
Os museus municipais, na sua maioria, não consideram necessária a abertura imediata dos museus, até porque os seus públicos essenciais não poderão usufruir de espaços e iniciativas, a população escolar devido ao encerramento das escolas até Setembro, a população sénior devido à necessidade reforçada de confinamento.
Foi referido que os museus menos preparados para reabrir são os nacionais, que não dispõem ainda de directivas superiores, produtos e equipamentos de segurança e higienização.
Foi sugerida a vantagem a vários níveis do retomar no Verão das actividades de tempos livres para todos os níveis do Ensino Básico, tanto em espaços museológicos como nas escolas, IPSS…, permitindo também a numerosos prestadores destes serviços, com vínculos precários, regressarem ao trabalho.
Acentuou-se a oportunidade de fazer face ao desemprego crescente reforçando as equipas dos museus, promovendo o trabalho nos vários sectores que trabalham com equipas externas e sem vínculo laboral, bem como a necessidade de prever para o sector dos museus medidas que permitam fazer face à nova conjuntura, que veio agravar uma situação já muito difícil.
Abordou-se ainda a importância de cumprir a promessa do Governo de avançar com os concursos para os museus nacionais, assumindo que não haverá receitas internas, pelo que o Governo deverá avançar com um financiamento adequado para o primeiro triénio.
Afigura-se fundamental criar para o universo dos museus, tal como para todas as restantes áreas da Cultura, um quadro reforçado de retoma das actividades, incluindo este sector que está a demonstrar enorme criatividade e resiliência, em planos de apoio económico. A importância fundamental das várias facetas do universo da Cultura está bem evidente no contributo que tem assumido no difícil contexto actual e merecem a coragem política de assumir esta área como prioritária no reforçar de políticas de apoio às instituições de memória, da criatividade dos seus actores, de emprego num sector muito fragilizado pela precariedade e falta de financiamento.
O Presidente da República colocou numerosas questões e registou atentamente as informações prestadas, deixando votos de possível retorno à normalidade e ultrapassagem das dificuldades.
Maria de Jesus Monge, Presidente do ICOM Portugal
30 de Abril de 2020
ICOM Portugal lança inquérito aos museus em tempo de Covid-19
Em consequência das medidas de confinamento social implementadas para conter a pandemia provocada pelo vírus Covid 19, os museus portugueses, à semelhança dos seus congéneres em todo o mundo, encontram-se encerrados. Procurando manter a comunicação com o público, muitos estão a utilizar recursos virtuais, reunindo pessoas, incentivando a criatividade, compartilhando experiências e oferecendo um renovado espaço para a valorização e fruição do património.
Todavia, encerrados ao público, os desafios colocados aos museus não se esgotam na comunicação digital e são muitos no presente e no futuro: a manutenção dos procedimentos de conservação das coleções e de segurança, a ausência de visitantes (e a sua provável forte redução nos próximos meses ou até anos), a situação profissional de muitos colaboradores, a perda desastrosa de receitas são apenas algumas das principais ameaças que enfrentam todos os que, de forma direta e indireta, trabalham nos museus.
Por outro lado, as formas de cumprir as atuais restrições impostas variam nos museus de acordo com a sua dimensão, o seu orçamento, a sua localização geográfica e a sua tutela. Os planos de contingência elaborados pela maioria já estão esgotados pelo encerramento quase total e está a chegar agora o momento de desenvolver planos para o regresso à atividade de portas abertas à comunidade.
Nesse sentido, o ICOM Portugal lançou, esta semana, um inquérito junto dos museus para melhor conhecer a realidade a nível nacional e avaliar as consequências desta crise pandêmica no tecido museológico português. O objetivo é conhecer detalhadamente as dificuldades atuais e futuras das instituições museológicas, poder apoiá-las e defendê-las junto das tutelas, face à situação de emergência que atravessam e irão continuar a atravessar nos próximos meses.
Os primeiros resultados serão apresentados no dia 18 de maio, data na qual se assinala anualmente o Dia Internacional dos Museus, este ano com o tema Museus pela igualdade: diversidade e inclusão.
Mais informações: direccao@icom-portugal.org / info@icom-portugal.org
ICOM Portugal subscreve carta conjunta sobre a propriedade intelectual – Dia Mundial da Propriedade Intelectual – 26 de abril 2020
Todos os anos, no dia 26 de abril, celebra-se o Dia Mundial da Propriedade Intelectual, com vista a determinar o papel que os direitos de propriedade intelectual desempenham na relação e no estímulo à inovação e criatividade.
O Dia Mundial da Propriedade Intelectual 2020 põe a inovação – e os direitos de propriedade intelectual que a apoiam – no centro dos esforços para inovar e criar um futuro verde.
As consequências das alterações climáticas colocam severos desafios aos museus e à salvaguarda do património, em todo o mundo. Ameaças como a subida do nível dos mares, os incêndios, as tempestades colocam um número substancial de colecções em risco.
Aceitando o repto lançado, por Peter Keller, Director-geral do ICOM, o ICOM Portugal apoia e subscreve a carta conjunta, dirigida à WIPO (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), sobre a necessidade de acção internacional imediata sobre a propriedade intelectual para que os museus de todo mundo possam adequadamente preservar as suas colecções, ainda mais perante as ameaças acrescidas provocadas pelas alterações climáticas.
Mais informações: www.wipo.int






Comentários recentes