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Boletim ICOM Portugal, Série III, nº18, julho 2022

Posted by on Jul 30, 2022 in Boletim ICOM.PT, Destaques, Notícias | 0 comments

Boletim ICOM Portugal, Série III, nº18, julho 2022

Os eixos definidos pelo ICOM para o Dia Internacional dos Museus 2022 através do tema O Poder dos Museus são: o poder de atingir a sustentabilidade; o poder de inovar através da digitalização e acesso mais inclusivo; e o poder de reforçar o tecido social nas comunidades em que os Museus estão inseridos. 

Exercer o poder, tradicionalmente implica confronto e afirmação. Instituições feitas ‘com pessoas e para pessoas’, os museus são assim, necessariamente, espaços onde encontramos estas dimensões tão humanas. A sua missão inclui a promoção do contraditório, dar voz a todos sem exceção, tentando não ceder a conjunturas que favorecem uns em detrimento de outros. Os Museus têm o poder de transformar o mundo em seu redor. Espaços de descoberta incomparáveis, trabalham narrativas e despertam-nos para novas ideias – passos essenciais para fomentar o bem-estar e a construção de um futuro melhor. 

A heterogeneidade dos textos aqui publicados discorre do posicionamento dos seus autores quanto ao tema proposto. Por isso, agradecemos a todos os que colaboraram neste boletim com essa diversidade de pensamento e com perspetivas distintas, que certamente muito contribuirá́ para a compreensão e reflexão sobre este assunto. 

O arqueólogo Luís Raposo foi a nossa escolha para ser o entrevistado neste boletim. O seu rico testemunho, transmite-nos a sua vivência como arqueólogo, como diretor do Museu Nacional de Arqueologia e como Presidente do ICOM Portugal e do ICOM Europa. 

Desafiámos a artista plástica Fernanda Fragateiro para colaborar no boletim com uma seleção de trabalhos artísticos num repto crítico sobre O Poder dos Museus. Os dez trabalhos aqui publicados, distribuídos ao longo do Boletim, incluindo a capa, são o reflexo do posicionamento e da identidade do seu percurso artístico, trabalhos escultóricos de objetos utópicos. “Não, verdadeiramente não há necessidade da mágica nem do feérico, não há necessidade de uma alma nem de uma morte para que eu seja ao mesmo tempo opaco e transparente, visível e invisível, vida e coisa: para que eu seja utopia, basta que eu seja um corpo.” 

Ao pensarmos no poder como capacidade, como oportunidade, facilidade e dom, num Museu onde tudo se cruza, onde tudo se metamorfoseia, é compreendermos a época em que vivemos, e assim contribuirmos para a sua consolidação e permanência. 

Editorial Sofia Marçal, Maria de Jesus Monge

Índice 

3. Editorial, por Sofia Marçal

11. Mensagem da Presidente, por Maria de Jesus Monge

14. Breves

19. Em Foco – O Poder dos Museus

  • Ensaiando um novo modelo de administração para o Mosteiro de Arouca, Agostinho Ribeiro, Técnico superior da Direção de Serviços
    dos Bens Culturais (DRCN) e coordenador do Mosteiro de Arouca. 
  • New visions to connect the past, the present and the future, Alba Campo Rosillo, Terra Foundation Fellow for American Art, Museo Nacional Thyssen-Bornemisza. 
  • Entre o velho e o novo mundo: as relações Portugal-Brasil para a recuperação do Museu Nacional, Alexander W. A. Kellner, Departamento de Geologia e Paleontologia, Museu Nacional/UFRJ e Mariah Martins, Museu Nacional/UFRJ. 
  • El Poder de los Museos, Fernando Pérez Oyarzun, Director do Museo Nacional de Bellas Artes de Santiago, Chile. 
  • Preservar e dialogar: o poder dos museus no futuroGonçalo de Carvalho Amaro, Técnico superior no Museu de São Roque, Vogal do Conselho Fiscal do ICOM Portugal. 
  • Poder fazer ou ter o poder, Leonor Nazaré, Assessora e curadora no Museu Calouste Gulbenkian. 
  • The Power of Museums, Mark O’Neill, Associate Professor, College of Arts, University of Glasgow, Non-Executive Director of Event Communications Ltd. Judge for the European Museum of the Year Awards. 
  • O Poder dos Museus: de tronos sobre rodas ao museu em movimento, Mário Nuno Antas, Diretor do Museu Nacional dos Coches, Lisboa. 
  • O que permanece imortal, no canto, tem que perecer, na vida, Nuno Faria, Diretor do Museu da Cidade, Departamento de Museus e Coleções, Porto. 
  • O poder dos museus na promoção do bem-estar – Prescrição cultural, Raquel Barata, Museu Nacional de História Natural e da Ciência – Universidade de Lisboa. 
  • Dall’intimità domestica alla familiarità museale. Il contributo delle case museo alla città di 15 minuti, Rosanna Pavoni, Museóloga e curadora. 
  • Os Museus como fonte de transformação, Salvador Patrício Gouveia, Museu do Caramulo. 
  • Museus: poderes e contrapoderes. Um ponto de vista a partir do Atelier-Museu Júlio Pomar, Sara Antónia Matos e Pedro Faro, Atelier-Museu Júlio Pomar. 

112. À Conversa com Luís Raposo – Entrevista realizada por Sofia Marçal.

125. Encontros de Primavera ICOM 2022

  • The Power of Museums: Making the Case for the Value of Museum Experiences, John Falk, Diretor do Instituto de Inovação em Aprendizagem e professor do Sea Grant de Aprendizagem de Escolha Livre da Oregon State University. 
  • O Preditor de Kelvin, Nuno Crato, Professor Catedrático de Matemática e Estatística, ISEG, Universidade de Lisboa. 
  • O Poder dos Museus: contributos para a transição digital, Patrícia Remelgado, Museóloga. 

150. Dia Internacional dos Museus

  • Comunicado da direção
  • Sessão na Câmara Municipal de Lisboa
  • Exposição de obras de Isabel Garrett e Vasco Araújo no Paço dos Duques de Bragança, Guimarães
  • Conferência com os ICOM Ucrânia, Polónia e Europa – Museu Nacional dos Coches 

156. Bolsas

  • Património imaterial, diálogo e ramificações: reflexões iniciais sobre um planeamento estratégico participativo, Nathália Pamio Luiz, Técnica do Centro de Memórias do Museu Sporting, Investigadora MINOM-ICOM Portugal e LUME – Associação de Cultura e Património; Margarida Loran Gili, Museóloga e consultora independente, Professora da Fundació Universitat de Girona.

161. Webinares

168. Publicações

Para Leitura

Algumas notas sobre o procedimento concursal de seleção internacional para Diretores de Museus da DGPC

Posted by on Mai 23, 2022 in Destaques, Notícias | 0 comments

Algumas notas sobre o procedimento concursal de seleção internacional para Diretores de Museus da DGPC

Em maio de 2020, foi finalmente aberto o procedimento concursal para a seleção internacional de diretores de Museus, Palácios e Monumentos nacionais afetos à Direção-Geral do Património Cultural, concurso que se dividiu em duas fases. 

A primeira, a 29 de maio (DR, Aviso 8441D/2020) abriu as candidaturas a seguir referidas, tendo o processo ficado concluído em finais de fevereiro de 2021: Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém (Lisboa); Panteão Nacional (Lisboa); Palácio Nacional da Ajuda/Museu do Tesouro Real (Lisboa); Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa); Museu Nacional de Grão Vasco (Viseu); Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto); Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra); Museu Monográfico de Conímbriga (Coimbra); Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo (Évora).

A segunda, a 19 de junho (DR, Aviso n.º 9312-A/2020), para os museus abaixo referidos e que ainda não se encontra finalizada, uma vez que os procedimentos concursais referentes ao Museu Nacional da Música e Mosteiro de Alcobaça, ainda não estão concluídos: Mosteiro de Alcobaça (Alcobaça); Palácio Nacional de Mafra (Mafra); Museu Nacional da Música (Lisboa); Museu Nacional do Azulejo (Lisboa); Museu Nacional dos Coches (Lisboa); Museu Nacional de Arte Contemporânea e Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Lisboa); Museu Nacional de Etnologia e do Museu de Arte Popular (Lisboa); Museu Nacional do Teatro e da Dança e o Museu Nacional do Traje (Lisboa).

Mais tarde, em novembro de 2020, seria também aberto concurso para o Museu Nacional Resistência e Liberdade (DR, Aviso n.º 18588-A/2020), já concluído. 

De referir ainda que estes concursos não abrangeram o Mosteiro da Batalha, o Convento de Cristo, em Tomar, nem o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, cuja abertura ainda não teve inexplicavelmente lugar. 

Vários membros dos Corpos Sociais e da Direção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM integraram estes júris, na qualidade de membros efetivos ou/e de vogais, a saber: Maria de Jesus Monge, concursos para as direções do Museu Nacional Soares dos Reis, Museu Nacional Grão Vasco e do Museu Regional de Beja (da responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Alentejo); Ana Mercedes Stoffel, concursos para as direções do Museu Nacional do Teatro e do Museu Nacional do Traje; José Gameiro, concursos para as direções do Museu Nacional Machado de Castro e do Museu Nacional Liberdade e Resistência; e Maria José Santos, concurso para a direção do Museu Nacional dos Coches.

Embora estes procedimentos não estejam encerrados, uma vez que os procedimentos concursais referentes aos Museu Nacional da Música e Mosteiro de Alcobaça, ainda não estão concluídos, com a nomeação e tomada de posse de novos dirigentes, é desejo do ICOM Portugal identificar e partilhar algumas reflexões e recomendações sobre estes procedimentos concursais e como poderão vir a ser melhorados no futuro:

1. Sobre a composição dos júris dos procedimentos concursais

A composição do júri prevista no decreto-lei 78/2019 (Art.º 14.º) tornou evidente o peso excessivo da universidade nos concursos. 

De facto, entre os quatro membros do Júri nunca houve mais do que dois profissionais de museus (não contabilizamos aqui o membro da DGPC enquanto presidente do júri), sendo que na maioria dos casos apenas existiu um.

Este aspeto acabou por ter reflexos na escolha, sobretudo nos casos onde não havia uma candidatura do anterior diretor. 

Fica-se com a sensação de que se privilegiou preferencialmente as valências académicas e literárias, em detrimento das capacidades inerentes à experiência museológica e às práticas museográficas. Nesse sentido, considera-se que a constituição do júri deve ser repensada, aumentando o número de profissionais seniores provenientes de museus ou de associações de profissionais (ICOM-PT e APOM, ICOMOS, etc).

Por fim, a ausência da componente museológica na segunda fase, tentou ser compensada com a alteração do edital, dando-se relevância a quem apresentasse pós-graduação nas áreas da Museologia. Chama-se a atenção que esta alteração, apresentada extemporaneamente, não teve qualquer relevância prática. 

2. Sobre a avaliação das candidaturas e critérios de ponderação

Constatamos ainda, relativamente ao formato dos conteúdos das grelhas de avaliação do concurso e à revisão dos valores das classificações a atribuir na Avaliação Curricular, Projeto (e carta de motivação nele incluído) e Entrevista: 

Geral: A atribuição de notas apenas nos valores 8, 12, 16 e 20 não permite avaliar corretamente as diferenças entre os candidatos e obriga a escolhas injustas e incorretas, especialmente nos valores entre 16 e o 20. Faltam as notas intermédias 10, 14 e 18. As fórmulas de ponderação aplicadas depois, criam desigualdades desproporcionais, atribuindo posições praticamente definitivas em alguns casos, ainda a meio do processo de avaliação. 

Avaliação curricular: É desproporcionada a valorização da formação académica e profissional face a experiência no exercício da função museológica ou a intervenção dos candidatos em publicações, conferências e atividades de formação. No caso específico da formação profissional, não faz sentido sobrevalorizar as horas de formação profissional recebidas. Sendo importante nos jovens profissionais, não se justifica em pessoas com anos de trabalho e que participam elas próprias como profissionais, conferencistas e formadores nas ações de formação realizadas.

Projeto/Abordagem Cultural /Artística: A excessiva valorização do Projeto no computo geral de avaliação, deveria exigir sempre a apresentação e defesa deste pelo candidato perante o júri, provando assim o domínio da matéria apresentada e os seus conhecimentos e empenhamento para o levar a efeito. Mais uma vez, o excessivo pormenor favorece os candidatos internos, pelo que sugerimos sejam valorizadas linhas programáticas gerais. Dentro deste princípio do equilíbrio entre concorrentes, a Carta de Motivação deveria ser o critério a valorizar dentro do contexto deste método de seleção.

Entrevista: A entrevista deveria ser mais importante em duração e não apenas uma conversa pergunta/resposta; seria o momento ideal para o júri se aperceber da capacidade dos candidatos para executar os trabalhos e intenções que apresentam no projeto e na carta de motivação.

3. Sobre a baixa adesão e número diminuto de candidaturas.

Deveria igualmente ser motivo de reflexão a baixa adesão de candidatos aos 22 concursos abertos. A DGPC, informou, em dezembro, que tinha recebido 146 candidaturas, entre as quais as de 32 cidadãos estrangeiros, o que nos parece um número diminuto, tendo em conta a quantidade de concursos abertos, sendo que em média houve cerca de 5 candidatos a cada concurso.

Compete igualmente referir que muitos dos candidatos estrangeiros, na sua maioria brasileiros, não foram considerados elegíveis para participar no concurso, devido a não lhes terem sido reconhecidas as suas habilitações académicas. Na prática, o que veio a verificar-se, apesar de se ter aberto um concurso internacional, foi que os candidatos elegíveis eram maioritariamente portugueses.

Estas candidaturas foram manifestamente reduzidas se comparadas com as apresentadas a alguns dos concursos abertos para a direção de outros museus, por exemplo da EGEAC. Porque será que os museus e palácios nacionais se tornaram tão pouco atrativos?

O número mais reduzido de candidatos a alguns dos museus coincide com os museus cujos diretores concorreram, situação que é tradicional, mas não favorece uma salutar exigência por parte dos diretores a concurso. Esta perceção de favoritismo à partida, é contrária à exigência de permanente avaliação e inovação. 

A forma como a avaliação foi feita favorece manifestamente quem está dentro da instituição, particularmente os diretores. Sugere-se assim que, em futuros concursos, seja dado um maior peso e valorizada a experiência profissional em museus, nomeadamente aspetos práticos como gestão de coleções, conservação, organização e comissariado de exposições e experiência com públicos. Só assim acreditamos ser possível avaliar candidatos e competências sem o viés do conhecimento interno, tornando mais aliciante a candidatura. 

Merece reflexão o facto de não haver a capacidade, dentro de instituições que deveriam ser de referência nacional nas respetivas áreas de saber, de gerar candidatos para assumir a continuidade ou opções bem diversas, mas enformadas pelo conhecimento profundo de coleções e saberes.  

4. Sobre a demora temporal no desenvolvimento e conclusão dos procedimentos.

A incapacidade demonstrada pela DGPC na conclusão atempada dos concursos e, passados vários meses (nalguns casos quase um ano) o incumprimento relativo à assinatura dos contratos programa, que deveria ocorrer até 90 dias depois da entrada em funções dos vencedores dos concursos, são confirmações adicionais da dificuldade da DGPC em concretizar projetos. A perceção pública de falência de recursos a todos os níveis e de inoperância administrativa, justificam a falta de interesse revelada pelo baixo número de candidaturas.

Concluindo, o decreto-lei da autonomia veio devolver ao panorama museológico nacional a esperança de finalmente ver dotadas as instituições museológicas de referência com condições para cumprir a missão que lhes é cometida na Lei-Quadro dos Museus e no próprio decreto-lei da autonomia. Pelo valor de referência que lhes é conferido, pelo reconhecimento da importância nacional, estas instituições são muitas vezes consideradas como o referencial para os restantes museus.

A dependência administrativa da Rede Portuguesa de Museus (RPM) da Direção-Geral que tutela os museus nacionais, deveria indicar alguma concertação estratégica, que não se tem verificado.

Assim, finalizando, solicitamos que seja feita uma avaliação de todo o procedimento concursal, com resultados a serem apresentados no Conselho Geral de Museus, Palácios e Monumentos e na SMUCRI. Consideramos fundamental que esta apreciação dos primeiros concursos, realizados no âmbito do decreto-lei da autonomia, sirva para introduzir melhorias no texto legislativo e, sobretudo, para alertar para o seu indispensável cumprimento.

O continuado incumprimento da legislação que é produzida na área do património cultural revela a falta de investimento e reconhecimento da área e é responsável pelo degradar das instituições a quem compete a salvaguarda, estudo e comunicação da memória nacional.   

Lisboa, 23 de maio de 2022

Direção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM

O PODER DOS MUSEUS. Dia Internacional dos Museus, 18 de maio 2022

Posted by on Mai 17, 2022 in Destaques, Notícias | 0 comments

O PODER DOS MUSEUS. Dia Internacional dos Museus, 18 de maio 2022

International Council of Museums (ICOM) propõe em cada ano um tema para o 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, data que escolheu para celebrar universalmente estas instituições de relevante interesse para a preservação e divulgação do Património das comunidades, povos e nações.

Vivemos tempos de incertezas e perplexidades. Perante o imprevisto que caracteriza o nosso quotidiano, que lugar para os Museus? As notícias que chegam, mostram a importância do Património Cultural e a necessidade de o preservar para as gerações futuras.

Os museus convocam memórias, promovem aprendizagens, proporcionam sensações, potenciam experiências. O Poder dos Museus reside na capacidade de garantir espaços inclusivos, de diálogo e promoção de cidadania ativa, mas também espaços de bem-estar e deleite.    

Profissionais de museus de todo o mundo procuram mostrar hoje o que de melhor e mais apelativo podem proporcionar aos seus públicos. É um dia de festa e celebração, montra do que vem sendo realizado e semente de outras iniciativas.

Não podemos esquecer os que vivem momentos particularmente difíceis e estaremos on line a partir das 10h00, com os ICOM Ucrânia e Polónia. Trata-se de uma iniciativa conjunta com o ICOM Europa. Vamos conhecer melhor a realidade vivida nestes Países e perceber como poderemos ser úteis.

A Comissão Nacional Portuguesa do ICOM participa nesta celebração internacional dos Museus, saúda o esforço de todos e a imensa riqueza material e imaterial das instituições museológicas. 

Não podemos, contudo, deixar de referir a secundarização crónica a que os museus vêm sendo condenados – avassalados com a míngua de recursos humanos, preocupados quer com as condições de conservação e a necessidade de investigação das suas coleções quer com o modo como comunica com as comunidades.

Algumas das instituições de referência nacional não estão já em condições de cumprir as funções que lhes estão cometidas. Esperamos que o reconhecido Poder dos Museus obtenha uma visibilidade que transcenda a data e se reflita em estratégia e recursos rejuvenescedores. Do que não temos dúvida é que os museus são uma mais-valia e preciosos aliados no diálogo com as comunidades e na preservação das suas memórias, na transformação das mentalidades e das sociedades, na promoção da democracia e da cidadania e na defesa de valores fundamentais como a liberdade, a igualdade e a fraternidade.

Maria de Jesus Monge, Presidente do ICOM Portugal

Exposição O PODER DOS MUSEUS – Paço dos Duques de Bragança – 6 de maio

Posted by on Abr 30, 2022 in Destaques, Notícias | 0 comments

Exposição O PODER DOS MUSEUS – Paço dos Duques de Bragança – 6 de maio

O Paço dos Duques de Bragança acolhe a exposição O PODER DOS MUSEUS a qual vem na sequência de um convite do ICOM Portugal a dois artistas plásticos, Isabel Almeida Garrett e Vasco Araújo que contribuíram com trabalhos seus para os boletins do ICOM de julho de 2020 e dezembro de 2021, respetivamente.

As esculturas do Vasco Araújo a as pinturas de Isabel Almeida Garrett  estão instaladas em várias salas do Paço dos Duques em diálogo com a coleção permanente. Obras que não se cruzam pois partem de paradigmas diferentes, do imaginário, da influência literária e teatral próprias de cada um dos artistas.

A intenção desta exposição é introduzir a Arte Contemporânea no  percurso expositivo do Paço contribuindo assim para promover a convivência das várias sensibilidades culturais potenciadoras de  conhecimento e da aproximação de diferentes públicos.

Os artistas convidados:

ISABEL ALMEIDA GARRETT 

Nasceu em Lisboa, em 1959. De 1986 a 1989 estuda Design de Moda no CITEX – Centro de Formação  
Profissional da Indústria Têxtil. Trabalha neste campo até 1998, ano em que lhe é concedida uma bolsa para estudar pintura no AR.CO – uma escola de Arte independente, em Lisboa, e desde então dedica-se a tempo inteiro à pintura. Em 2011 participa numa Exposição Coletiva na Galeria Quadrado Azul, em  Lisboa. Expõe individualmente em 2013 na Fundação Champalimaud em Lisboa e em 2014 no Palacete Visconde de Balsemão, com o apoio da Câmara do Porto. Em 2015 esteve representada na ArtGenève através da  SSArt. Em 2016 participa numa Exposição Colectiva na Bonhams, em Lisboa e individualmente na Casa-Museu Medeiros e Almeida. Em 2018, participa na Colectiva 9:6 da Ocupart também em Lisboa, seguindo-se em 2019 a mostra individual “A porta ao lado é aqui que eu moro” na   Casa-Museu Vieira da Silva e no laboratório do Museu Nacional da História Natural e da Ciência. FB: www.facebook.com/artistaisabelgarrett / IG: @isabelalmeidagarrett
 
VASCO ARAÚJO 

Nasceu em Lisboa, em 1975. Concluiu a licenciatura em Escultura pela FBAUL, frequentou o Curso   Avançado de Artes Plásticas da Maumaus em Lisboa. Integrou ainda programas de residências, como Récollets (2005), Paris; Core Program (2003/04), Houston. Em 2003 recebeu o Prémio EDP Novos Artistas, Portugal. Desde então tem participado em diversas exposições individuais e colectivas tanto nacional como internacionalmente: “Momento à parte”, MAAT – Fundação EDP, Lisboa, Portugal (2019); Vasco Araújo”, M-Museum, Leuven, Belgica, (2018); “Decolonial desires”, Autograph ABP, Londres, U.K. (2016); “Potestad”, MALBA – Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina.(2015) “Under the Influence of Psyche”, The Power Plant, Toronto (2014); “Debret”, Pinacoteca do   Estado de S. Paulo, S. Paulo (2013); “Eco” Jeu de Paume, Paris (2008); “Em Vivo Contacto”, 28º Bienal de S. Paulo, São Paulo (2008); “Experience of Art”; La Biennale di Venezia. 51th International Exhibition of Art, Veneza (2005); “The World Maybe Fantastic” Biennale of Sydney (2002), Sydney. O seu trabalho está publicado em vários livros e catálogos e  representado em várias coleções, públicas e privadas. Site: www.vascoaraujo.org
  

ICOM Portugal recebido em audiência pela Secretária de Estado da Cultura

Posted by on Abr 21, 2022 in Destaques, Notícias | 0 comments

ICOM Portugal recebido em audiência pela Secretária de Estado da Cultura

A Comissão Nacional Portuguesa do ICOM foi hoje, 20 de Abril, recebida pela Secretária de Estado da Cultura, Doutora Isabel Cordeiro.  Abordámos os temas que mais preocupam museus e profissionais de museu, nomeadamente o não cumprimento da legislação em vigor na área do património cultural, e mais especificamente dos museus.

O ponto de situação relativamente às dificuldades operacionais da Direção-geral do Património Cultural foi aprofundado no respeitante à não implementação do decreto-lei da autonomia, à paralisia da Rede Portuguesa de Museus, à falta de capacidade de resposta a vários níveis. Reforçámos a necessidade de uma reformulação profunda, que responda aos desafios atuais da sociedade em geral e deste setor que tem grandes insuficiências diagnosticadas.  

Como não podia deixar de ser, manifestámos a preocupação com a não renovação das equipas dos museus, a todos os níveis: técnicos operacionais, técnicos profissionais e técnicos superiores. O fim das carreiras específicas, as aposentações, a falta de atratividade e a progressiva desadequação face às exigências contemporâneas, têm fragilizado os recursos humanos em extremo. O modelo atual não resolve os problemas que têm vindo a avolumar-se, urge assim encontrar soluções.

A Doutora Isabel Cordeiro conhece profundamente a área e assegurou a vontade de diálogo e  colaboração para tentar resolver os muitos desafios que os museus enfrentam.   

A direção do ICOM Portugal

20 de abril 2022