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Adiamento da Assembleia Geral – Sessão Ordinária – 28 de junho

Publicado por em Jun 22, 2021 em Destaques, Notícias | 0 comentários

Adiamento da Assembleia Geral – Sessão Ordinária – 28 de junho

Nos termos da Lei e dos Estatutos, a Assembleia Geral do ICOM Portugal deveria reunir até 31 de março 2021.

Ao abrigo do decreto-lei n.0 10-A/2020, de 13 de março, tendo em conta a situação sanitária excecional, convocou-se a Assembleia Geral do ICOM Portugal para reunir em Sessão Ordinária, no próximo dia 28 de junho, pelas 15h00, no Palácio Nacional da Ajuda, por Convocatória do Presidente da Mesa da Assembleia Geral enviada a todos os membros associados, em 28 de abril corrente.

Devido ao agravamento da situação sanitária na Área Metropolitana de Lisboa e em todo o país, o ICOM Portugal decidiu cancelar esta Assembleia Geral, adiando a mesma para data a definir posteriormente.

Recorda-se a todos os membros associados que o Relatório e Contas referentes ao exercício de 2020, acompanhados do Parecer do Conselho Fiscal, o Relatório de Atividades 2020 encontram-se já disponíveis para consulta no site do ICOM Portugal.

Lisboa, 21 de junho 2021,

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Joaquim Caetano Oliveira

JORNADAS DE PRIMAVERA 2021

Publicado por em Jun 16, 2021 em Destaques, Notícias | 0 comentários

JORNADAS DE PRIMAVERA 2021

No próximo dia 28 de junho, das 10h00 às 13h00, decorrem on-line, as Jornadas de Primavera do ICOM Portugal.

Contarão com os seguintes oradores convidados:

– MUTHONI THANG’WA (Quénia), Porta-voz dos Comités Nacionais do ICOM

– HARTMUT DORGERLOCH (Alemanha), Presidente do Fórum Humboldt

– PAULO PIRES DO VALE (Portugal), Comissário do Plano Nacional das Artes

As Jornadas terão difusão em direto no Facebook do ICOM Portugal. A participação não carece de marcação prévia, recomendando-se o recurso à caixa de comentários para participação nos momentos de debate.

Junte-se a nós na próxima 2ª feira 28 de junho, pelas 10h00!

Inquérito à presença de património proveniente de territórios não-europeus nos museus portugueses

Publicado por em Mai 29, 2021 em Destaques, Notícias | 0 comentários

Inquérito à presença de património proveniente de territórios não-europeus nos museus portugueses

Numa perspetiva de conhecimento do património que temos à nossa guarda e enquanto país com uma história multissecular de contactos globais e aberto ao diálogo intercultural, o ICOM Portugal propõe um breve inquérito que visa perceber a presença de coleções e objetos extraeuropeus no contexto dos museus portugueses.

De modo a que possamos compreender a sua quantificação, distribuição pelo país, bem como o seu estado de conservação, estudo e inventariação, mas também o modo como este foram adquiridos/incorporados.

Num momento seguinte, propomo-nos contribuir para a melhor documentação destas coleções. Acreditamos que contribuiremos assim para o diálogo com os membros das diásporas originárias dos territórios representados nos museus portugueses, potenciando a sua inclusão nas estratégias de gestão e divulgação, abrindo simultaneamente caminho para parcerias internacionais.

Este inquérito, destinado às entidades museológicas públicas e privadas, pode ser preenchido e submetido até dia 15 de outubro. Os resultados serão divulgados nos Encontros de Outono 2021 do ICOM Portugal, a realizar no último trimestre e que serão dedicados ao tema.

Inquérito disponível neste link: Inquérito à presença de património proveniente de territórios não-europeus nos museus portugueses

Mais informações: info@icom-portugal.org

CARTA DE DIREITOS DO PATRIMÓNIO CULTURAL PORTUGUÊS

Publicado por em Mai 18, 2021 em Destaques, Notícias | 0 comentários

CARTA DE DIREITOS DO PATRIMÓNIO CULTURAL PORTUGUÊS


O Património Cultural, expresso em Bens Culturais, conforme a designação da Lei de Bases do Património Cultural Português (lei nº 107/2001), inventariado e classificado nos termos desta Lei ou não, constitui, juntamente com a língua falada, a máxima valência identitária de um país, de uma civilização e de um povo. Inclui não somente as manifestações da História, Arqueologia, Arte, Etnografia e Antropologia, o património documental e arquivístico, mas também os patrimónios imateriais e intangíveis e o próprio património natural e ambiental enquanto
construção antrópica. Esta definição de Bem Cultural, ampla e integradora, que a legislação portuguesa consagra, encontra-se igualmente fixada na legislação internacional da UNESCO, do Conselho da Europa e da União Europeia.

Os Bens Culturais constituem uma teia de relações históricas, críticas e afetivas em que a própria vida e dignidade humanas melhor se percebem e ganham sentido. Todos aspiram a políticas de estudo, proteção e revalorização, que cabem à Arqueologia, à História da Arte, à
Museologia, à Conservação e Restauro, às Ciências da Documentação e da Informação, às Ciências da Natureza, às Ciências do Património, às Ciências Educativas e aos demais ramos científicos. Estas políticas que devem constituir-se como prioridade dos responsáveis, sejam eles
estatais ou autárquicos, públicos ou privados, e ser asseguradas pela adequada disponibilização de recursos humanos, organizativos e financeiros, dentro de programas de longa duração, gerados através da audição útil dos cidadãos e nomeadamente do movimento associativo do
sector e dos profissionais e demais agentes envolvidos naqueles trabalhos.

Os Bens Culturais, dada a sua capacidade identitária intrínseca, são ainda dotados de sentidos que perduram no tempo histórico e abrem campo a debates frutuosos e diversificados. Por essa mesma razão também, exigem cuidados reforçados. Quando se referem mais especificamente os
monumentos e obras de arte, melhor se percebe como esse é, aliás, o seu saber vocacional: foram produzidos num dado tempo, não para gerarem consensos, mas justamente para fazerem valer ou simplesmente suscitarem as dimensões plurais de afirmação que os seus valores permitem exprimir.

Para além das opções de estilo, ou dos gostos dominantes, próprios de cada
época, as ‘obras de arte’ e demais objetos patrimoniais incorporam poderosos e duradoiros significados, os quais lhes conferem sentidos sociais. Esta dimensão perdura e torna-se uma evidência especialmente em países de longa continuidade histórica, pelo que se impõem políticas de estudo, acautelamento e maior responsabilização.

Por alguma razão os Bens Culturais, e maximamente as chamadas obras de arte, não se esgotam nos ‘temas’ representados e nos ‘contextos’ temporais precisos em que foram gerados. Independentemente da sua maior ou menor qualidade e originalidade de criação, eles exprimem sempre discursos com sentido de futuro, sendo por isso trans-contemporâneos, ou seja, persistem com ativa vivencialidade e projetam sentidos históricos, estéticos e ideológicos percetíveis e recontextualizáveis. É esse, aliás, o papel dos Bens Culturais: interagirem em cada situação histórica como testemunho ou como interlocutor de fruição e resignificação. Não são
por isso apenas passado, são sempre e sobretudo presente, sendo ainda projeções possíveis do futuro.


A este poder imenso de sedução alia-se, porém, a sua fragilidade física, material ou memorial: os Bens Culturais estão sujeitos à degradação e envelhecimento naturais, ao abandono e ruína, ao desinteresse das tutelas, às intervenções desadequadas, até quando realizadas com boas
intenções. Em casos-limite podem ainda estar à mercê de apelos de esconjuramento e radicalidade destrutiva, que abrem campo ao iconoclasma.

É urgente, a este respeito, saber desmontar o argumentário pobre de quem advoga a destruição ou vandalização de monumentos, esculturas, ‘obras de arte’ em geral, apregoando ideias antigas, normalmente revestidas de pseudo-modernidade, debaixo de invocações religiosas, políticas, estéticas, morais ou outras. Sejam quais forem as razões invocadas para esconjurar símbolos e códigos, sejam quais foram as relações de poder ou os regimes sociais, devem existir sempre alternativas à brutalidade iconoclasta – ou ao seu espelho contrário, o abuso iconofílico, que tende a impor leituras únicas, em tudo contrárias ao debate plural que em última razão justifica os próprios Bens Culturais a salvaguardar, que devem espelhar a pluralidade de visões de uma sociedade democrática, pautada pela diversidade, pela convivência e pela tolerância. Trata-se aqui de princípios civilizacionais que legitimam as boas práticas no campo do Património Cultural, a que devemos continuamente dar cumprimento e impõem ao Estado –
justamente porque a Memória, fixada em Bens Culturais, constitui uma das prioridades máximas de qualquer comunidade politicamente organizada – assumir maior ousadia no investimento, na salvaguarda, na promoção, nos recursos e na formação técnica.

É por isso e no exercício das suas funções de cidadania que as Associações do Património Cultural Português abaixo indicadas apresentam ao País, e nomeadamente aos poderes políticos democráticos, a Carta de Direitos do Património Cultural Português que se consubstancia nos seguintes parágrafos:

  1. Os Bens Culturais têm direito à existência, à sua continuada vivência estética, material e simbólica.
  2. Os Bens Culturais têm direito a ser conservados e protegidos, estudados, analisados, ensinados e vivenciados através de legislação adequada.
  3. Os Bens Culturais têm direito inalienável de salvaguarda, inventariação e classificação através de políticas, recursos e organismos públicos adequados às suas especificidades disciplinares.
  4. Os Bens Culturais têm direito à resistência das comunidades perante ameaças iconoclásticas.
  5. Os Bens Culturais têm direito à resistência das comunidades perante casos abusivos de iconofilia.
  6. Os Bens Culturais têm direito a não serem subjugados a interesses individuais ou coletivos que lhes imponham utilização, função ou rentabilidade que possam de algum modo provocar a sua destruição, mutilação, descaracterização ou perda absoluta do significado com que
    foram criados.
  7. Os Bens Culturais têm direito ao escrutínio crítico e integridade física em cada nova situação ou tempo histórico.
  8. Os Bens Culturais têm direito a desempenhar uma função de cidadania por assumirem sempre um valor testemunhal e poderem protagonizar um desejável espaço de encontro e concórdia.
  9. Os Bens Culturais têm direito de inclusão face à heterogeneidade (religiosa, social, rácica, política) dos seus interlocutores, mantendo com os mesmos relações de interpelação criativa.
  10. Os Bens Culturais têm direito ao cumprimento das suas mais-valias históricas, estéticas, pedagógicas e sociais em qualquer tempo, pelo que nenhum ‘hoje’ os pode considerar seus e, pelo contrário, os deve usufruir com a humildade de pensar no ‘ontem’ e no ‘amanhã’.

Em 14 de maio 2021

AAP – Associação dos Arqueólogos Portugueses
APAC – Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos
APAI – Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial
ADPS – Associação de Defesa do Património de Sintra
APHA – Associação Portuguesa de Historiadores da Arte
APOM – Associação Portuguesa de Museologia
APPI – Associação Portuguesa para o Património Industrial/TICCIH-Portugal
Associação Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do Museu Nacional de Soares dos Reis
BAD – Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação
Fórum Cidadania Lx
Fórum de Conservadores-restauradores
GECoRPA – Grémio do Património
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
ICOM Portugal – Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Museus
OPRURB – Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana
PROGESTUR – Associação Portuguesa de Turismo Cultural

O FUTURO DOS MUSEUS: RECUPERAR E REIMAGINAR – Dia Internacional dos Museus 2021

Publicado por em Mai 17, 2021 em Destaques, Notícias | 0 comentários

O FUTURO DOS MUSEUS: RECUPERAR E REIMAGINAR – Dia Internacional dos Museus 2021

Celebrar os museus é sempre momento para reafirmar o seu lugar na sociedade.

Neste dia, 18 de maio 2021, museus e os seus profissionais em todo o mundo, os seus públicos e as comunidades em que estão inseridos, reúnem-se para festejar a universalidade da memória vivida e partilhada.

Cada momento enfrenta o seu desafio e o contexto atual exige dos museus particular ambição e arrojo, convidando a pensar o futuro dos museus e o seu papel nas nossas sociedades, reptos que o tema para 2021 espelha.

O ICOM define quatro grandes eixos de trabalho, transversais a diferentes realidades, universais na sua atualidade: a sustentabilidade, o ambiente, os novos modelos de gestão e a transformação digital.

Enquanto motores de mudança, os museus contribuem para promover o intercâmbio cultural, criando pontes e laços entre os povos.

Conscientes de que cada ser humano é portador de um património biológico, social e cultural, os museus são desafiados a reimaginar-se para contribuir de forma ativa na preservação dos elos da cadeia que nos une ao planeta.

Assumindo um posicionamento empenhado na implementação das metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, em 2021 o ICOM realça os eixos da educação de qualidade (4), do trabalho digno e crescimento económico (8), de cidades e comunidades sustentáveis (11) e da ação climática (13).

 Em Portugal os desafios são idênticos, reforçados pelos muitos temas em debate, não só diretamente respeitantes à instituição museológica e aos seus profissionais, como  relativos a assuntos que estão em discussão na sociedade portuguesa e de que, naturalmente, os museus não podem deixar de se fazer eco e ser espaço de diálogo.

Avolumam-se internacionalmente, já com conhecidos episódios em Portugal, movimentos que defendem leituras unívocas e exclusivas da herança social e cultural. Os museus devem garantir, na sua pluralidade e diversidade, que todas as visões e opiniões podem ser escutadas e debatidas, sem preconceitos.      

Novas e antigas preocupações ganham novo fôlego, quando se acentuam insuficiências de há muito diagnosticadas e divulgadas e quando estão em curso e se anunciam alterações administrativas. Sabemos que os últimos meses marcaram tudo e todos de forma indelével e mudanças que se insinuavam, afirmaram-se definitivamente, designadamente o recurso a ferramentas digitais e a implementação de modelos de gestão melhor preparados para lidar com situações inesperadas. Simultaneamente, estes mesmos desenvolvimentos propiciam o avolumar das desigualdades e exigem que sejam pensadas e implementadas estratégias para salvaguardar a herança cultural e natural.


Os profissionais de museu e os museus são assim incentivados a, mais do que nunca, pensar e trabalhar com as comunidades em que estão inseridos, não enquanto pequenos micro cosmos auto centrados, mas como elos de uma imensa cadeia. A preservação da diversidade, em perigo no mundo natural, deve ser simultaneamente o desiderato das instituições de património cultural – é a diversidade que nos torna criativos, fortes, capazes de reconstruir mais que recuperar e de trabalhar ativamente para contribuir para uma sociedade mais consciente, mais equilibrada, mais justa e mais sustentável.

Maria de Jesus Monge

Presidente da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM

17 de maio 2021