ICOM aprova novo Código Deontológico para os Museus
O Conselho Internacional de Museus (ICOM) aprovou oficialmente o novo Código Deontológico para os Museus, reforçando o quadro de princípios éticos que orienta os museus e os profissionais de museus em todo o mundo.
A versão revista foi aprovada, hoje, dia 25 de junho de 2026, durante a 41.ª Assembleia Geral Ordinária do ICOM, com 85,90% dos votos favoráveis, culminando um processo participativo desenvolvido ao longo de vários anos. O trabalho foi conduzido pelo Comité de Ética do ICOM (ETHCOM), sob supervisão do Conselho Executivo do ICOM, e contou com a participação ativa de 114 Comissões Nacionais e Internacionais, Alianças Regionais e Organizações Afiliadas.
O novo Código estabelece um quadro ético universal destinado a orientar os museus e os profissionais do setor na proteção e valorização do património cultural, no reforço da confiança pública e no serviço à sociedade. Assente em princípios éticos partilhados, apoia os museus na salvaguarda, investigação e gestão responsável das coleções, promovendo simultaneamente práticas de governação sustentáveis e responsáveis.
A revisão do documento reflete a evolução do papel dos museus num mundo em rápida transformação e assegura o alinhamento com a Definição de Museu adotada pelo ICOM em 2022. O novo texto responde igualmente a desafios contemporâneos que afetam o setor museológico, incluindo o impacto das tecnologias digitais, a crise climática e a necessidade contínua de abordar os legados do colonialismo através de práticas museológicas responsáveis e eticamente fundamentadas.
Reconhecendo a diversidade dos museus em diferentes regiões do mundo, o Código define princípios éticos comuns para a prática profissional, preservando simultaneamente a flexibilidade necessária à sua aplicação em distintos contextos culturais, jurídicos, profissionais e de recursos. A implementação do documento será acompanhada por orientações práticas destinadas a apoiar os museus e os profissionais na aplicação dos seus princípios no quotidiano.
A adoção do novo Código Deontológico constitui um marco significativo para o ICOM e para a comunidade museológica internacional. Dando continuidade ao espírito colaborativo que caracterizou todo o processo de revisão, o ICOM continuará a promover o envolvimento dos seus membros, apoiando a implementação do Código, incentivando o diálogo e garantindo que este permanece relevante perante os desafios e as necessidades em constante evolução dos museus e dos profissionais de museus em todo o mundo.
O contributo do ICOM Portugal
O ICOM Portugal acompanhou o processo de revisão do Código de Ética através da sua participação nas consultas promovidas pelo ICOM Internacional, contribuindo para a reflexão coletiva que envolveu os organismos da rede mundial do ICOM.
A revisão agora concluída resulta de um dos mais amplos processos participativos alguma vez realizados no âmbito do ICOM, refletindo a diversidade de perspetivas e realidades dos museus em diferentes contextos geográficos, culturais e institucionais.
O ICOM Portugal continuará a acompanhar as próximas etapas de implementação do novo Código, promovendo a sua divulgação junto dos profissionais e instituições museológicas portuguesas e incentivando o debate sobre os desafios éticos contemporâneos da prática museológica.
Compromisso para uma tradução em língua portuguesa
Na sequência da adoção do novo Código Deontológico para os Museus, os Comités Nacionais do ICOM de língua portuguesa manifestam a sua disponibilidade para colaborar na preparação de uma tradução do documento para português. Neste âmbito, o ICOM Portugal e o ICOM Brasil comprometem-se a desenvolver um trabalho conjunto que permita disponibilizar à comunidade museológica lusófona uma versão de referência do novo Código, contribuindo para a sua ampla divulgação e implementação.
Este esforço de cooperação reforça os laços entre os Comités Nacionais de língua portuguesa e evidencia o compromisso comum com a promoção dos princípios éticos que orientam a atividade dos museus e dos profissionais de museus em todo o mundo.
Sobre o Código de Deontológico do ICOM
O Código Deontológico para os Museus do ICOM constitui o principal instrumento internacional de referência para a prática profissional no setor museológico. Desde a sua primeira adoção, tem orientado a atuação dos museus e dos seus profissionais, estabelecendo normas e princípios que promovem a integridade, a responsabilidade, a transparência e o serviço à sociedade.
A versão agora aprovada representa uma atualização abrangente do documento, refletindo as transformações ocorridas no setor museológico nas últimas décadas e reafirmando o compromisso do ICOM com uma museologia ética, inclusiva, sustentável e socialmente relevante.
Documentação relacionada
Texto integral do Código Deontológico para os Museus, em inglês (versão de 2026)
Comunicado oficial do ICOM Internacional sobre a adoção do Código (25.06.2026)
Paris, 25 de junho 2026
ICOM Portugal
Como acompanhar e participar no ECHOES no futuro
O ECHOES e o ICOM Portugal agradecem a todos os participantes a presença, o interesse e o contributo no webinar «ECHOES para Comunidades de Língua Portuguesa», realizado no passado dia 16 de junho de 2026.
A elevada participação e a qualidade das intervenções evidenciaram o crescente interesse das comunidades de património cultural de língua portuguesa em acompanhar e contribuir para o desenvolvimento da futura Nuvem Europeia do Património Cultural. O diálogo estabelecido durante a sessão permitiu identificar expectativas, necessidades e oportunidades de colaboração, elementos fundamentais para assegurar uma participação ativa e representativa destas comunidades neste processo.
Este encontro constituiu um primeiro passo no reforço das ligações entre profissionais, instituições e redes de património cultural de diferentes países e regiões de língua portuguesa, promovendo a partilha de experiências e a construção de novas parcerias em torno da transformação digital do setor.
Convidamos todos os participantes a manterem-se envolvidos nas próximas iniciativas do projeto ECHOES e do ICOM Portugal, acompanhando as oportunidades de participação, consulta e financiamento que irão surgir nos próximos meses.
Entretanto, partilham-se alguns recursos relevantes para quem pretenda acompanhar a evolução do ECHOES e da futura Nuvem Europeia do Património Cultural.
Destacam-se, em particular, os vários projetos irmãos (sister projects), no âmbito dos quais serão desenvolvidas ferramentas digitais orientadas para o património cultural, realizados estudos sobre as necessidades dos futuros utilizadores e lançados mecanismos de financiamento em cascata para apoiar novas iniciativas. O ECHOES assume um papel central de articulação deste ecossistema de projetos e serviços que irão integrar a futura Cultural Heritage Cloud.
Recursos de referência
- Portal do ECHOES: https://www.echoes-eccch.eu/
- Consulta às comunidades de património cultural: https://www.echoes-eccch.eu/consultation/
- Programa de financiamento em cascata (Cascading Grants): https://www.echoes-eccch.eu/cascading-grants/
- Projetos irmãos e oportunidades de financiamento (Sister Projects Grants): https://www.echoes-eccch.eu/project-grants/
- Relatórios e documentação do projeto: https://www.echoes-eccch.eu/reports/
- ECCCH Comunidade no Zenodo: https://zenodo.org/communities/eccch/records?q=&l=list&p=1&s=10&sort=newest
- Perguntas Frequentes (FAQ): https://www.echoes-eccch.eu/faq/
- Arquivo de newsletters: https://www.echoes-eccch.eu/newsletter-archive/
Para uma melhor compreensão da arquitetura e dos objetivos da futura Nuvem Europeia do Património Cultural, recomenda-se a consulta dos relatórios publicados pelo projeto e do folheto «How to be part of the Cultural Heritage Cloud?». Estes materiais apresentam a visão estratégica, os modelos de participação e os mecanismos de integração das futuras comunidades de utilizadores.
Por fim, convidam-se todos os interessados a subscrever as newsletters do ECHOES e do ICOM Portugal, de modo a acompanharem regularmente as novidades, eventos, oportunidades de financiamento e desenvolvimentos associados à construção da Nuvem Europeia do Património Cultural.
Lisboa, 22 de junho 2026
Relatório do Grupo de Trabalho sobre Descolonização do ICOM já disponível
O Grupo de Trabalho sobre Descolonização (Working Group on Decolonisation – WGD) do ICOM anunciou a publicação do seu relatório final, resultado do trabalho desenvolvido ao longo do seu mandato entre 2023 e 2025.
Constituído para aconselhar o Conselho Executivo do ICOM, o Grupo de Trabalho teve como missão refletir sobre a forma como o ICOM, enquanto organização internacional não-governamental e principal voz global dos profissionais de museus, pode abordar as questões relacionadas com a descolonização e promover práticas institucionais assentes na equidade, inclusão social e justiça cultural.
O relatório resulta de um amplo processo de consulta e recolha de contributos, tanto no seio da rede do ICOM como junto de especialistas e organizações externas. Entre as suas principais conclusões, apresenta um conjunto de recomendações destinadas a apoiar o envolvimento do ICOM nestas matérias e a reforçar o seu papel na promoção de boas práticas a nível internacional.
O documento oferece igualmente uma visão abrangente sobre as diferentes formas como os processos de descolonização estão a ser desenvolvidos em museus de várias regiões do mundo, evidenciando a diversidade de abordagens, contextos e experiências existentes.
Um dos aspetos centrais do relatório consiste na reflexão sobre o significado do conceito de descolonização no contexto do ICOM e dos museus. Reconhecendo a complexidade do tema, bem como os debates e sensibilidades que o envolvem, o Grupo de Trabalho procurou clarificar os principais conceitos utilizados. Para esse efeito, o relatório é acompanhado por um glossário que explica a terminologia adotada durante o processo de elaboração do documento. Tal como o próprio relatório, este glossário é apresentado como um instrumento evolutivo, aberto a futuras revisões e contributos.
A publicação deste relatório constitui um marco importante no percurso do ICOM em matéria de descolonização, contribuindo para o aprofundamento do diálogo, da aprendizagem e da ação neste domínio. O documento sublinha ainda que a descolonização deve ser entendida como um processo coletivo, contínuo e em constante evolução, que interpela museus e profissionais de todo o mundo.
O relatório completo em inglês pode ser consultado através dos canais oficiais do ICOM ou aqui na página do ICOM Portugal:
Lisboa, 21 de junho 2026
Webinar ECHOES para Comunidades de Língua Portuguesa. 16 de junho 2026.
O projeto ECHOES – European Cloud for Heritage OpEn Science convida para um webinar destinado às instituições museológicas e do património cultural de língua portuguesa, que terá lugar no dia 16 de junho de 2026, das 17h00 às 19h00 (WEST), através do Zoom, com organização do ICOM Portugal, membro do consórcio ECHOES, em parceria com Fondation des Sciences du Patrimoine e E.C.C.O. – European Confederation of Conservator-Restorers Organisations.
Os objetivos deste webinar são:
– Ligar as instituições de Património Cultural nas regiões de língua portuguesa, no âmbito do ECHOES;
– Estabelecer ligação com parceiros não europeus sobre Bens Digitais Comuns para o Património Cultural;
– Reforçar a colaboração regional com a Nuvem Europeia do Património Cultural;
– Reunir contributos e necessidades das partes interessadas regionais para a futura integração
Inscreva-se já e contribua conosco para moldar o futuro da Nuvem do Património Cultural: https://forms.gle/Urf1E17ZQT9iHYew6
Esperamos uma troca de experiências dinâmica e enriquecedora, para além das fronteiras nacionais. Nesse sentido, agradecemos a partilha da informação nas suas redes profissionais.
PROGRAMA
17h00 – 17h05 – Abertura
David Felismino (ICOM Portugal)
Juliette Raoul-Duval (ICOM Europe)
17h05 – 17h30 – Introdução à Nuvem do Património Cultural
Mailane Messias Sampaio (CNRS)
Rémi Petitcol (FSP)
17h30 – 17h40 – O ICOM no ECHOES
David Felismino (ICOM Portugal)
17h40 – 18h00 – Resultados do inquérito do ECHOES
Elis Marçal (E.C.C.O.)
Bárbara Andrez (ICOM Portugal)
18:00 – 18:20 – Reflexões da comunidade portuguesa
António Candeias (HERCULES, Universidade de Évora)
Alexandre Matos (ICOM Portugal, CITCEM, Universidade do Porto)
18h20 – 18h50 – Sessão interativa
Mailane Messias Sampaio (CNRS)
Elis Marçal (E.C.C.O.)
18:50 – 19:00 – Resumo e Encerramento
David Felismino (ICOM Portugal)

UNESCO e ICOM lançam inquérito global sobre a utilização da Inteligência Artificial nos museus
O Conselho Internacional de Museus (ICOM), em parceria com a UNESCO, lançou um inquérito global destinado a compreender melhor a forma como a Inteligência Artificial (IA) está a ser utilizada nos museus de todo o mundo. Instituições de todas as tipologias e dimensões são convidadas a contribuir, preenchendo o questionário em linha até 21 de julho de 2026.
A Inteligência Artificial está a transformar rapidamente a forma como os museus preservam, interpretam e partilham o património cultural. Desde a gestão de coleções e a investigação até à acessibilidade, à educação e ao envolvimento dos públicos, os museus de diferentes regiões do mundo começam a explorar as oportunidades e os desafios associados à utilização da IA.
Com o objetivo de compreender melhor este contexto em evolução, a UNESCO e o ICOM lançaram um inquérito global sobre a utilização da Inteligência Artificial nos museus, convidando instituições de todas as tipologias e dimensões a partilharem as suas experiências, práticas e perspetivas.
Convidamos todos os membros do ICOM Portugal e redes profissionais nacionais a divulgar amplamente esta iniciativa.
O inquérito pretende recolher exemplos concretos e dados de referência sobre a forma como os museus estão atualmente a integrar a IA nas suas atividades. Procurará igualmente analisar de que modo estas utilizações se articulam com os principais referenciais internacionais, nomeadamente a Recomendação da UNESCO sobre a Ética da Inteligência Artificial (2021) e o Código de Ética do ICOM para Museus (2004).
Ao reunir contributos de instituições de diferentes regiões e contextos, esta iniciativa visa identificar tendências emergentes, bem como necessidades prioritárias de apoio e capacitação. Disponível nas línguas oficiais da UNESCO e do ICOM, o inquérito procura assegurar uma participação internacional ampla, representativa e inclusiva.
O ICOM Portugal agradece antecipadamente o vosso apoio e colaboração.
O inquérito estará aberto até 21 de julho de 2026.
Participar no inquérito: https://ee.kobotoolbox.org/x/6vxCcN5n
Para mais informações, contacte o Secretariado do Programa de Museus da UNESCO através do endereço: sec.mus@unesco.org.






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