ICOM Portugal atribui 3 Bolsas em 2026
O Fundo de Bolsas do ICOM Portugal é destinado a apoiar a participação dos seus membros em conferências, cursos, estágios ou intercâmbios, presenciais ou online (estudo e investigação, incorporação, inventário e documentação, conservação, segurança, interpretação e exposição, educação), através da atribuição de um subsídio que cubra parte das despesas associadas.
Em 2026, o período de submissão de candidaturas decorreu de 26 de janeiro a 8 de março, tendo-se recebido 5 candidaturas.
Após avaliação do Júri,informa-se que, em 2026, o ICOM Portugal irá atribuir bolsas a 3 membros associados:
- Andreia Conceição
Membro do ICOM Portugal, Museóloga, Diretora do Museu Marítimo de Sesimbra / Chefe da Divisão de Património Cultural da Câmara Municipal de Sesimbra. A bolsa permitirá a participação, como oradora, no 30º Fórum dos Museus Marítimos do Mediterrâneo, organizado pela AMMM – Associação dos Museus Marítimos do Mediterrâneo, em Chania, Grécia, que se realizará de 22 a 25 de outubro de 2026.
- Carolina Palma da Silva
Membro do ICOM Portugal, Investigadora Associada no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A bolsa apoiará a frequência da ação de formação For Children: Study Days, a realizar no Haus der Kunst, em Munique, nos dias 20 e 21 de março de 2026, programada no âmbito da exposição For Children: Art Stories since 1968.
- Thais Lenzi Bressiani
Membro estudante do ICOM Portugal, Doutoranda em Ciências da Arte e do Património pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e Técnica Superior na Direção de Coleções, Circulação e Classificação da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. A bolsa apoiará a participação, enquanto assistente, na NEMO European Museum Conference 2026, promovida pela Network of European Museum Organisations (NEMO) e a realizar-se em Vilnius, Lituânia, de 11 a 13 de outubro de 2026.
Conforme ata abaixo disponibilizada, ao 11º dia do mês de março do ano de 2026, pelas 19h00, reuniu remotamente o Júri de Avaliação do Fundo de Bolsas do ICOM Portugal 2026 com vista à avaliação das candidaturas recebidas.
Estiveram presentes os 3 membros do Júri do Fundo de Bolsas 2026 – Alexandre Matos (Investigador Auxiliar no CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, membro regular do ICOM Portugal), Isabel Tissot (Investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, membro regular do ICOM Portugal) e Mariana Jacob Teixeira (Chefe de Divisão de Museus da Câmara Municipal do Porto, Vice-Presidente do ICOM Portugal) -, com David Felismino, na qualidade de Presidente do ICOM Portugal que presidiu à reunião (sem direito de voto), e Roberto Leite, Secretário do ICOM Portugal, para lavrar esta ata (sem direito de voto).
Reuniram com a seguinte Ordem de Trabalho: Abertura das candidaturas recebidas; Avaliação dos candidatos e das propostas; Deliberação e Seleção das propostas; e Comunicação dos resultados.
Lisboa, 12 de março 2026
David Felismino
Presidente do ICOM Portugal
DOCUMENTAÇÃO:
Museus Locais, Museus Municipais. 24 de fevereiro 2026. Ciclo de debates online 50 Anos do ICOM Portugal
O 7.º debate do ciclo de debates online do ICOM Portugal, no âmbito dos seus 50 anos enquanto associação formalmente constituída, é dedicado aos museus locais — museus de cidade, de território mais alargado, de tutela municipal ou sob outras formas de gestão. Partimos de uma característica que os une: a sua profunda relação com o território e a proximidade que estabelecem com as comunidades que nele vivem, trabalham e constroem significado.
Os museus locais têm um papel decisivo na preservação, interpretação e ativação do património cultural à escala local. São espaços de memória e identidade, mas também de participação cívica, diálogo e reflexão. Num contexto marcado por desafios sociais, económicos e ambientais, é fundamental pensar como estas instituições se posicionam enquanto agentes de coesão, inclusão e desenvolvimento sustentável, respondendo às necessidades das suas comunidades e contribuindo para o seu futuro.
Este propõe-se analisar as especificidades que distinguem os museus locais no panorama museológico nacional; compreender como se constrói e renova a relação de proximidade com as comunidades; refletir sobre modelos de gestão e financiamento adequados às suas realidades; e explorar que tipos de equipas e modelos organizativos podem garantir sustentabilidade, especialização e capacidade de resposta aos desafios contemporâneos. Falaremos também do papel dos museus locais enquanto plataformas de participação, mediação e transformação social.
Reunindo profissionais do setor, investigadores, decisores e representantes de comunidades, pretendemos fomentar a partilha de experiências, identificar desafios comuns e perspetivar caminhos futuros para os museus locais em Portugal, valorizando a sua diversidade e o contributo essencial que dão à vida cultural dos territórios.
As tempestades que recentemente atravessaram Portugal tiveram impacto significativo em várias regiões, incluindo Loulé, Lisboa e, de forma especialmente severa, Leiria, com danos patrimoniais e situações de emergência que ainda estão a ser avaliadas e enfrentadas.
Esta realidade lembra-nos, de forma muito concreta, a importância da resiliência dos museus locais, da sua capacidade de resposta e da articulação com as suas comunidades e com os serviços de proteção civil.
Estas e outras questões estarão em discussão no próximo dia 24 de fevereiro 2026, às 19h00, na plataforma Zoom.
Os oradores convidados são:
- Ana Rosa Sousa (Loulé)
- Ana José Oliveira (Santa Maria da Feira)
- Joana Sousa Monteiro (Lisboa)
- Vânia Carvalho (Leiria)
A moderação estará a cargo de Mariana Jacob Teixeira, ICOM Portugal.
A participação é gratuita e não carece de inscrição prévia.
Link de acesso:
https://us06web.zoom.us/j/88588109827?pwd=XsaBMOwE9hKwEfo0BQ8Z4qVqhKBmFA.1

Sessão online de apresentação do Guia para gerir incidentes e promover segurança na Cultura. 2 de março 2026, 18h30.
O Guia para Gerir Incidentes e Promover Segurança na Cultura, resultado de um processo colaborativo entre cinco associações representativas do setor cultural (ICOM Portugal, BAD – Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação, Acesso Cultura, Performart e REDE – Associação para a Dança Contemporânea) será apresentado numa sessão online no próximo dia 2 de março, às 18h30.
O documento estabelece um conjunto de linhas orientadoras destinadas a apoiar profissionais, organizações e estruturas culturais na compreensão, prevenção e gestão de situações suscetíveis de comprometer a segurança e o bem-estar em contextos culturais. Com uma abordagem prática e informada, o guia procura contribuir para a adoção de respostas adequadas, proporcionais e alinhadas com os princípios da legalidade e do respeito pelos direitos fundamentais.
Entre os seus principais objetivos, o guia propõe-se clarificar três dimensões centrais: a identificação e compreensão das situações e contextos em que os incidentes podem ocorrer; a definição de procedimentos e boas práticas a adotar antes, durante e após a ocorrência dessas situações; e o esclarecimento dos direitos e deveres das diferentes partes envolvidas, promovendo uma atuação consciente, responsável e articulada no setor da Cultura.
O guia foi apresentado publicamente no dia 22 de janeiro de 2026, na Fundação José Saramago, assumindo-se como uma primeira versão de caráter dinâmico e evolutivo. Prevê-se que o documento venha a ser revisto e aprofundado à luz da experiência prática e dos contributos recolhidos junto dos profissionais da Cultura.
Nesse sentido, o ICOM Portugal e restantes entidades promotoras apelam à participação ativa do setor. A sessão de apresentação online do dia 2 de março 2026 constitui uma oportunidade para conhecer em detalhe os objetivos, a estrutura e as recomendações do guia, bem como para esclarecer dúvidas e promover o debate em torno da segurança e do bem-estar nos contextos culturais.
Inscrições na sessão online de 2 de março, 18h30: https://forms.gle/RkFmLdWceVTmeZsR8
Envie contributos para a melhoria deste Guia: https://forms.gle/2vo1g2Mp9dFCCukY7
Situação de Emergência da Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços
A Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, monumento de interesse público sob tutela direta da Câmara Municipal do Seixal, encontra-se atualmente numa situação de acelerada degradação do património imóvel e do património móvel integrado, que rapidamente poderá resultar na perda deste importante local.
Desde o passado dia 4 de fevereiro, o bem patrimonial, na sequência de condições atmosféricas adversas, tem sido severamente afetado por uma inundação de grandes proporções, com impacto numa área significativa, abrangendo diversos imóveis e estruturas históricas, equipamentos e património móvel e integrado. Esta situação coloca em risco a possibilidade de recuperação do sistema de produção e transmissão de energia a vapor, tendo em vista o seu restabelecimento em condição operacional. Este risco de danos graves não era imprevisível, nem inevitável.
Os resultados devastadores desta ocorrência relacionam-se com o prolongado desinvestimento público e com a insuficiência de medidas e meios de manutenção, que conduziram a uma degradação estrutural do património em causa. É do conhecimento público a necessidade de concretização de medidas no âmbito das infraestruturas de águas e saneamento, que permitiriam a preservação do sítio patrimonial e dariam resposta ao crescimento urbano na envolvente da Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços.
Acontecimentos anteriores semelhantes, nomeadamente inundações registadas no perímetro da Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, ainda que de menor gravidade do que a que se verifica desde o dia 4 de fevereiro, haviam desencadeado sucessivos alertas para riscos que colocavam em causa não só o bem patrimonial, como toda a área urbana envolvente e que trazem repercussões negativas para toda a comunidade local, como se veio agora a verificar.
Em 2025 foi reconhecida relevância excecional ao património da Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, com a nomeação ao programa europeu “7 Most Endangered 2026”, promovido pela Europa Nostra e pelo EIB Institute — iniciativa que identifica patrimónios em risco iminente de degradação ou perda irreversível e cuja salvaguarda é considerada prioritária. Aguarda-se com expectativa o resultado deste programa a ser anunciado em breve.
Urge, assim, uma conjugação de esforços e a implementação de medidas concretas que invertam o processo de perda do património in situ da Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços e potenciem, no futuro, a sua valorização, assente na fruição pública e na sua sustentabilidade enquanto monumento de interesse público.
Neste sentido, e perante a gravidade da situação, associações e instituições ligadas à salvaguarda do património — a APAI (Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial), a APOM (Associação Portuguesa de Museologia), a APPI (Associação Portuguesa para o Património Industrial), o EPPIC (Grupo de Estudo e Preservação de Património Industrial e Científico da NOVA FCT), o ICOM Portugal (International Council of Museums) e o ICOMOS Portugal (International Council on Monuments and Sites) — manifestam a sua profunda preocupação e apelam a uma intervenção urgente e concertada entre a entidade tutelar e a administração central do património cultural, de acordo com as responsabilidades legais na proteção deste bem classificado e do património industrial em geral.
A inação resultará na perda irreversível de um bem único da história industrial, científica e tecnológica portuguesa, com consequências graves para o património cultural nacional e internacional.
Lisboa, 16 de fevereiro 2026
APAI — Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial
APOM — Associação Portuguesa de Museologia
APPI — Associação Portuguesa para o Património Industrial
EPPIC — Estudo e Preservação de Património Industrial e Científico – NOVA FCT
ICOM Portugal — International Council of Museums
ICOMOS Portugal — International Council on Monuments and Sites
Comunicado a propósito dos fenómenos meteorológicos extremos que atingiram Portugal
O ICOM Portugal lamenta profundamente as perdas humanas registadas, expressando sentidas condolências às famílias, amigos e comunidades enlutadas. Associamo‑nos à sua dor e reafirmamos o nosso respeito pela memória das vítimas, reconhecendo o impacto humano, social e emocional destas tragédias.
Manifestamos igualmente a nossa solidariedade para com as pessoas e territórios afetados pelos danos significativos provocados pelos fenómenos climáticos de excecional intensidade, com particular atenção aos museus e às suas equipas. As notícias de destruição em edifícios patrimoniais e museológicos recordam o imperativo de reforçar a preparação, mitigação e resposta do setor cultural.
No dia 10 de fevereiro de 2026, o ICOM Portugal realizou o debate “Sustentabilidade Ambiental e Alterações Climáticas”, integrado no seu ciclo regular de reflexões públicas sobre os desafios contemporâneos dos museus. Preparado com semanas de antecedência, este encontro ocorreu num momento particularmente sensível para o país, marcado pelo impacto severo de fenómenos climáticos extremos que atingiram comunidades, património cultural e instituições museológicas.
A coincidência temporal reforçou a pertinência do debate e sublinhou a urgência de integrar as dimensões ambiental e climática nas políticas culturais, nos modelos de gestão museológica e nas estratégias de conservação preventiva. Os efeitos recentes das intempéries evidenciam de forma inequívoca a vulnerabilidade crescente do património cultural face ao agravamento dos riscos climáticos.
O ICOM Portugal acompanha atentamente as medidas anunciadas pelas tutelas para recuperação do património afetado e salienta o contributo essencial de toda a sociedade. Destaca‑se, entre outras iniciativas, o canal criado pelo Património Cultural, IP, que permite aos cidadãos reportar danos observados no património das suas localidades.
Importa, porém, assegurar recursos financeiros adequados e consistentes, bem como o reforço das equipas técnicas sempre que necessário. É igualmente crucial garantir a articulação eficaz entre os mecanismos de financiamento e intervenção existentes, incluindo o Programa de Recuperação e Resiliência e o ProMuseus, de modo a assegurar respostas céleres, coordenadas e sustentáveis.
Torna-se igualmente prioritário investir de forma sistemática no planeamento estratégico e na capacitação das equipas. O reforço das competências institucionais em matéria de prevenção, resposta e recuperação constitui uma condição essencial para aumentar a resiliência dos museus e assegurar a salvaguarda sustentável do património cultural perante cenários climáticos cada vez mais exigentes.
O ICOM Portugal manifesta o seu apoio a todos os profissionais que enfrentam perdas materiais, interrupções de trabalho e desafios acrescidos na salvaguarda do património que lhes está confiado. Reconhecemos o esforço, a resiliência e o profissionalismo demonstrados nas operações de emergência, avaliação de danos, recuperação e planeamento. Mantemos contacto próximo com colegas em todo o país, especialmente nas zonas mais afetadas, em articulação com redes profissionais nacionais.
Dirigimos também uma palavra de esperança às comunidades atingidas. A recuperação do património cultural é parte integrante da reconstrução social e simbólica dos territórios, e os museus desempenham um papel insubstituível nesse processo. O ICOM Portugal reafirma a sua total disponibilidade para colaborar na disseminação de informação e boas práticas, no reforço das redes de cooperação e na preparação das instituições face a riscos futuros.
Num tempo de adversidade, reiteramos a importância da solidariedade entre profissionais, da cooperação institucional e do reconhecimento do património cultural como um bem comum cuja proteção é responsabilidade de todos. O ICOM Portugal permanece próximo das comunidades, dos museus e dos seus profissionais, com compromisso e apoio mútuo.
Lisboa, 12 de fevereiro de 2026
David Felismino
Presidente do ICOM Portugal






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