O ICOM Portugal lamenta profundamente as perdas humanas registadas, expressando sentidas condolências às famílias, amigos e comunidades enlutadas. Associamo‑nos à sua dor e reafirmamos o nosso respeito pela memória das vítimas, reconhecendo o impacto humano, social e emocional destas tragédias.
Manifestamos igualmente a nossa solidariedade para com as pessoas e territórios afetados pelos danos significativos provocados pelos fenómenos climáticos de excecional intensidade, com particular atenção aos museus e às suas equipas. As notícias de destruição em edifícios patrimoniais e museológicos recordam o imperativo de reforçar a preparação, mitigação e resposta do setor cultural.
No dia 10 de fevereiro de 2026, o ICOM Portugal realizou o debate “Sustentabilidade Ambiental e Alterações Climáticas”, integrado no seu ciclo regular de reflexões públicas sobre os desafios contemporâneos dos museus. Preparado com semanas de antecedência, este encontro ocorreu num momento particularmente sensível para o país, marcado pelo impacto severo de fenómenos climáticos extremos que atingiram comunidades, património cultural e instituições museológicas.
A coincidência temporal reforçou a pertinência do debate e sublinhou a urgência de integrar as dimensões ambiental e climática nas políticas culturais, nos modelos de gestão museológica e nas estratégias de conservação preventiva. Os efeitos recentes das intempéries evidenciam de forma inequívoca a vulnerabilidade crescente do património cultural face ao agravamento dos riscos climáticos.
O ICOM Portugal acompanha atentamente as medidas anunciadas pelas tutelas para recuperação do património afetado e salienta o contributo essencial de toda a sociedade. Destaca‑se, entre outras iniciativas, o canal criado pelo Património Cultural, IP, que permite aos cidadãos reportar danos observados no património das suas localidades.
Importa, porém, assegurar recursos financeiros adequados e consistentes, bem como o reforço das equipas técnicas sempre que necessário. É igualmente crucial garantir a articulação eficaz entre os mecanismos de financiamento e intervenção existentes, incluindo o Programa de Recuperação e Resiliência e o ProMuseus, de modo a assegurar respostas céleres, coordenadas e sustentáveis.
Torna-se igualmente prioritário investir de forma sistemática no planeamento estratégico e na capacitação das equipas. O reforço das competências institucionais em matéria de prevenção, resposta e recuperação constitui uma condição essencial para aumentar a resiliência dos museus e assegurar a salvaguarda sustentável do património cultural perante cenários climáticos cada vez mais exigentes.
O ICOM Portugal manifesta o seu apoio a todos os profissionais que enfrentam perdas materiais, interrupções de trabalho e desafios acrescidos na salvaguarda do património que lhes está confiado. Reconhecemos o esforço, a resiliência e o profissionalismo demonstrados nas operações de emergência, avaliação de danos, recuperação e planeamento. Mantemos contacto próximo com colegas em todo o país, especialmente nas zonas mais afetadas, em articulação com redes profissionais nacionais.
Dirigimos também uma palavra de esperança às comunidades atingidas. A recuperação do património cultural é parte integrante da reconstrução social e simbólica dos territórios, e os museus desempenham um papel insubstituível nesse processo. O ICOM Portugal reafirma a sua total disponibilidade para colaborar na disseminação de informação e boas práticas, no reforço das redes de cooperação e na preparação das instituições face a riscos futuros.
Num tempo de adversidade, reiteramos a importância da solidariedade entre profissionais, da cooperação institucional e do reconhecimento do património cultural como um bem comum cuja proteção é responsabilidade de todos. O ICOM Portugal permanece próximo das comunidades, dos museus e dos seus profissionais, com compromisso e apoio mútuo.
Lisboa, 12 de fevereiro de 2026
David Felismino
Presidente do ICOM Portugal






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