“Encontro de Outono 2019” – ICOM Portugal

Publicado por em Dez 16, 2019 em Arquivo de Eventos, Destaques, Eventos, Notícias

“Encontro de Outono 2019” – ICOM Portugal

“AFINAL, O QUE É UM MUSEU?”, foi o tema dos “Encontros de Outono”, realizados no passado mês de novembro, no Palácio Nacional da Ajuda, através dos quais o ICOM Portugal pretendeu dar  um importante  contributo para se iniciar entre os profissionais dos museus portugueses, o espaço de reflexão e debate em torno da  definição de Museu, proposto e  saído da última Assembleia-Geral, da 25ª Conferência Internacional do ICOM 2019 , realizada em Setembro na cidade japonesa de Quioto.

Numa primeira e muito participada mesa redonda, que abriu estes “Encontros de Outono” e moderada por José Gameiro, fizeram-se ouvir as posições de Luís Raposo, Joana Monteiro, José Alberto Ribeiro e Mário Antas os quais, enquanto participantes ativos nos trabalhos da Assembleia Geral do Japão, quiseram partilhar a sua opinião, sobre a discussão que aí teve lugar.

Encontro de Outono 2019

Todos apresentaram os seus diferentes argumentos acerca das opções surgidas, tendo sido manifestamente expresso que, em qualquer nova definição de museu, se deverá evitar um texto demasiado extenso e generalista ou totalmente desligado de conceitos já perfeitamente assumidos e interiorizados pela comunidade museológica internacional, devendo distinguir-se entre DEFINIÇÃO, MISSÃO e VISÃO.

Seguiu-se uma participada sessão em pequenos grupos de trabalho, para apreciação e discussão das duas propostas de definição de museu, com base na atual (em vigor desde 2007) e a nova proposta apresentada em Quioto, visando a recolha de um amplo e mais representativo conjunto de sugestões e ideias a apresentar pelo ICOM Portugal, visando uma futura decisão em Paris, no próximo ano.

Das conclusões dos vários grupos debate foi consensual a opção pela reformulação da atual definição, evitando-se ruturas e excluindo-se claramente a versão baseada apenas na nova definição.

Desse modo qualquer nova definição deverá:

      1-Partir da atual, tomando-a como enquadramento conceptual e formal de base, mantendo a centralidade daquilo que define especificamente a essência dos museus, na sua originalidade ou irredutibilidade de uma forma concisa e objetiva;

      2-Manter as referências explícitas a conceitos-chave como “instituição permanente“, “património material e imaterial”, “educação” e reforçando o caracter dinâmico, inclusivo, acessível e participativo dos museus.

3-Expressar um maior abertura e diversidade na democraticidade social dos museus e nos valores da cidadania, incluindo o conceito de “reflexão” como mais um dos seus fins, para além dos atuais de educação, do estudo e do deleite.

Um dos grupos chegou inclusivamente a apresentar a seguinte proposta de reformulação da atual definição:

“O museu é uma instituição permanente e dinâmica sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade, da sua diversidade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, fomentando a sua inclusão, participação e os valores da cidadania, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo, deleite e reflexão”.

Abaixo deixamos algumas fotografias do Encontro:

Um Comentário

  1. Não sei se já alguém se deu conta da tontaria e bizarria desta discussão, sobre o conceito de museu. Sendo instituição é claro que é permanente (não existem instituições provisórias fora da política) e todas são dinâmicas porque é essa a natureza das coisas. Sobre o património, da bizarria da divisão material imaterial e natural. Património é tudo. O que é relevante nesta discussão é o processo. aquilo que é escolhido, como é escolhido e para quê. Há que pensar que hoje em África e nas Américas, os museus já são muito mais do que esta visão limitada.

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